É bem mais fácil escrever sabendo que você não irá ler.
Minha vida mudou bastante, mas não como esperei que mudasse.
Eu sei que nada é fácil e eu sei que sou um incômodo mas várias coisas boas também o são… a verdade é,a paixão é, e por vezes até mesmo o todo-poderoso amor é.
Eu tenho uma visão egoísta e depreciada do mundo, e isso se deve em parte majoritária a ti.
Eu perdoei a inversão de papéis, eu perdoei a ausência e o castigo por um erro já saturado mas nunca ME perdoei por ter sido o primeiro a dar o passo errado.
É um soco com força no estômago sonhar com você toda santa noite quando abandonei e deixei de pensar em você a tanto tempo… só mostra que você está emplastrada na minha essência… grudada a nível molecular a minha alma e ao meu subconsciente, este que por vezes me tortura com imagens móveis suas na minha mente.
Da sua vida eu não sei mais, e nem faço questão de saber… suas fraquezas acabaram comigo uma vez e peço a Deus que ele não deixe mais isso acontecer
Quando eu paro e faço meu papel de crítico, cético e observador, por dentro eu grito para que alguem mude meus conceitos sobre amor.
E não só isso, mas também que me ensine a tatear as cegas um sentimento tão forte e inexpressivo.
Eu sou expert em tantas coisas mas falhei na lição mais simples que me foi imposta… eu sou solidário e amigo mas falhei com a única pessoa que demonstrou por “a” mais “b” que é de mim
quem ela gosta.
Eu disse gosta? Ou ama? Expressar minhas crenças no presente não fará o tempo voltar atrás.
E soa tão clichê querer voltar no tempo, e com a falsa esperança de volta vem a certeza que todos os erros seriam cometidos de novo e de novo e de novo numa sequência de fatos que durariam a eternidade e que me enfadariam até o aparecimento de uma absoluta verdade… nós temos o direito de construir o eterno apenas uma vez, se falharmos, não podemos mais voltar.
Eis a benção e a maldição de ser mortal… as feridas se fecham, as cicatrizes ficam expostas, sempre foi assim e será sempre igual.
Mas você parece estar em mundo alheio ao que vivo, em uma dimensão paralela…
Ao contrário de qualquer ser humano comum, você sacrifica aspectos da sua vida, acha estar fazendo o certo quando na verdade tudo isso é um grande desrespeito a ela.
O maior crime do mundo não é a prepotência, o orgulho ou a mentira, mas sim a sub-valorização da vida. Viver uma vida medíocre quando se pode ter a perfeição é mais que um pecado, é condenação ao inferno sem direito a redenção.
Mas por incrível que pareça, quem sofre os tormentos deste inferno sou eu. Quem morre de nostalgia e de falta de uma droga perene e mais viciante que qualquer outra sou eu… os erros e os pesares são todos meus…
E não, isso não é uma tentativa patética de se lamuriar e se condenar, porque todos somos passíveis de perdão… eu mudei e cresci, amadureci e vivi e hoje me acostumei a sua ausência… uma adaptação natural e sem consciência, que esboça em mim o retrato de algo superior, mas que por dentro me fere com tamanho ardor.
A sua vida prossegue, e eu prossigo enfim, não para te reencontrar ou para novamente a amar, mas por saber que esse epílogo será muito mais que um melodramático e novelesco fim…

Obrigado por me fazer mais forte, e obrigado por me calejar…
Se hoje o verbo amar é tão pouco utilizado, é porque foi assim que me ensinastes a conjugar.

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