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Que o Linkin Park é um fenômeno de vendas e popularidade ninguém nega, afinal, é difícil negar o que números tão avassaladores confirmam. Hybrid Theory nos brindou com uma agressividade explícita, coroada por scratches e vocais rasgados em uma mistura homogênea de eletronic, rock e rap. A mistureba que devia descer indigesta, fez bem a uma geração que via nos gritos do vocal uma forma de liberação do cotidiano frio e rotineiro que vivia. Mais que fãs, o Linkin Park cativou fiéis xiitas e enojou puritanos.

Mas o passado está enterrado, ou pelo menos é o que sugere sutilmente a canção “Waiting For The End” do recém-lançado A Thousand Suns. O álbum novo, ainda fresco, é a continuação da mudança que se originou em Minutes to Midnight e que desagradou MUITA gente. Não que experimentalismo, inovação e criatividade façam mal a alguém, pelo contrário, mas a proposta passa quase despercebida e a impressão que fica é que o LP tenta se posicionar de maneira diferente por causa do desconforto causado pela queda de rendimento do vocal Chester Bennington. Os fãs menos cegos podem perceber o déficit vocal que ocorreu nos últimos anos, é só comparar Live In Texas com Road to Revolution, por exemplo…

A tríade que sustenta o Linkin Park de pé, e ainda como um monstro da indústria fonográfica, são Mike Shinoda, Chester e Mr Hahn. Um excelente compositor/rapper, um vocal que parece se sair bem em tudo que se predispõe a fazer e um DJ/produtor que parece ter o toque de Midas e uma sensibilidade incrível para dar moldes e deixar tudo nos conformes. Não que os outros membros não sejam importantes, pelo contrário, o são, mas no aspecto musical são perfeitamente substituíveis.
Mas nada é eterno, nem a poderosa garganta de Chazy Chaz e quando forçados a construir uma outra atmosfera para músicas extremamente agressivas e emocionais, o LP acabou soando como um primo pobre do U2 ou um sobrinho do Radiohead. A única música que soa como antigamente é Blackout, esta, profundamente mascarada por efeitos e samplers. O single The Catalyst, lembra música de discoteca e o grande destaque fica mesmo pelas baladas Waiting for The End e The Messenger.

Quando perguntado recentemente se sua garganta estava com problemas Chester desconversou, disse apenas querer mostrar que podia cantar também, e não só gritar. Mas ao fazê-lo, abriu mão de um diferencial importante na arquitetura do grupo e de muitos fãs que simplesmente detestaram os últimos álbuns.

O Linkin Park não ruma a ruína como clamam os exagerados de plantão, mas cavalgou em prol de uma mudança não tão positiva. Os números de estréia do álbum novo são inferiores a todos os outros e a crítica, sempre acostumada a ser extrema, tratou o álbum com certa postura lacônica e indiferente.

Restaria alguma carta na manga deste ícone da indústria fonográfica moderna? Esperamos que sim, pois pelo menos por enquanto, estes mil sóis não brilharam tão forte quanto o esperado.

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