Esperei algum tempo antes de escrever qualquer coisa sobre o SWU. Não queria que o efeito avassalador dos excelentes shows influenciasse no julgamento crítico do que realmente aconteceu na Fazenda Maeda.
A proposta de Eduardo Fischer era simples: promover um festival democrático em prol da sustentabilidade. Mas o abismo entre a idealização e o festival em si foi TÃO gritante, mais tão gritante, que mesmo o fã mais alienado de qualquer uma das bandas presentes perceberia.
Qualquer estudante de Administração da “Uniesquina” que tem na sua cidade, com o orçamento apropriado e disponível, teria realizado o festival de maneira mais satisfatória. A máscara da sustentabilidade caiu por terra nos primeiros dias com a ausência de lixos no recinto e as falsas promessas como o desconto da bebida se você utilizasse o mesmo copo.
Carteirinha de estudante? Qualquer um teria passado com meia-entrada. Nenhum documento era exigido.
Os tickets de alimentação valiam por UM dia, em uma das posturas mais mercenárias da história. Comprou seu ticket no dia 10? Esquece, pode rasgar ele no dia 11.
As falhas técnicas inerentes a qualquer show foram horríveis no SWU. Atrasos, microfones desregulados, palcos pífios…
Por falar em palcos, a distribuição dos shows foi toda mal-planejada, fazendo você andar como uma galinha cega de um lado para o outro para ver este ou aquele show…
Na pista Premium a coisa era diferente, então? Era uma pinóia.
Empurra-empurra, acotovelamento e a tensão de ser pisoteado por uma horda de fãs de RATM no processo.
Na entrada do dia 11 a fila perdurou durante TRÊS horas, e a quebra da promessa sobre entrar com alimentos não perecíveis fez desencadeou uma épica guerra de comida. A segurança assistiu a tudo de camarote, sem sequer se pronunciar sobre…
As falhas se sobrepuseram aos shows? De maneira nenhuma. A grande maioria dos shows foi excelente, salvo alguns, nos quais as bandas pareciam estar com sono. Mas os shows seriam bons no palco de showmício da esquina da sua casa também, e você não teria que pagar o preço assassino do ingresso do SWU.
Lembrando que o escritor dessa crítica não é um otário que assistiu o festival pela TV para fazer o artigo no seu grandioso site no outro dia. Eu estava lá, eu vi a causa ser ignorada e vi o quanto “alguém” encheu o bolso de grana. (Seis reais num copo de água? Vá tomar no seu boga.)
Em síntese: má-organização e lucro indiscriminado mascarado em um festival que só faria sucesso se “cannabis” fosse sinônimo de sustentabilidade. Se o festival de 2011 for melhor, ainda será muito ruim.
Muito mesmo.
